cover
Tocando Agora:

Entenda como 'Milla', sucesso na voz do cantor Netinho, foi da 'Ilha do Sol' à Justiça

À esquerda, Manno Góes, que escreveu 'Milla'; e à direita, Carla Zambelli e Netinho em ato pró-Bolsonaro na Paulista Divulgação / Felipe Oliveira e Reprod...

Entenda como 'Milla', sucesso na voz do cantor Netinho, foi da 'Ilha do Sol' à Justiça
Entenda como 'Milla', sucesso na voz do cantor Netinho, foi da 'Ilha do Sol' à Justiça (Foto: Reprodução)

À esquerda, Manno Góes, que escreveu 'Milla'; e à direita, Carla Zambelli e Netinho em ato pró-Bolsonaro na Paulista Divulgação / Felipe Oliveira e Reprodução / Instagram Um dos maiores sucessos do axé music, a música "Milla" foi alvo de uma batalha judicial em 2021. Lançada na voz de Netinho, que morreu na terça-feira (13), em decorrência de um câncer no sistema linfático, a canção virou caso de Justiça após ser cantada em um ato pró-Bolsonaro. Composta por Manno Góes, "Milla" foi lançada em 1996. A canção foi inspirada em um romance de verão do compositor, que se apaixonou por uma garota chamada Milla enquanto passava as férias na Ilha de Itaparica - a "ilha do sol" citada na letra. A música se tornou um sucesso estrondoso na voz de Netinho e foi a grande responsável por consolidar a carreira solo dele. O sucesso ultrapassou as fronteiras brasileiras, e o cantor chegou a se apresentar em países como Itália e Chile. "Milla" seguiu tranquila por cerca de 25 anos, embalando carnavais e micaretas Brasil afora. Mas como ela foi da "Ilha do Sol" à Justiça? ‘Milla’, ‘Beijo na Boca’ e ‘Estrela Primeira’: relembre os hits que marcaram a carreira de Netinho Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Manno Góes, Bell Marques e mais: famosos lamentam morte do cantor Netinho Netinho, um dos principais cantores do axé music, morre aos 60 anos 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Em 2021, a então deputada Carla Zambelli (PSL-SP) filmou Netinho cantando a música na Av. Paulista, em São Paulo, durante um ato pró-Bolsonaro. A manifestação teve aglomeração e pedido de intervenção militar. O autor Manno Góes não autorizou o uso da canção e escreveu nas redes sociais: "Netinho ontem cantou Milla no ato em que pessoas brancas, na Paulista, gritavam 'eu autorizo', para Bolsonaro. Autorizam o quê? Golpe militar? Portanto, eu não autorizo esse débil mental de cantar minha música". Na época, Manno enviou uma notificação extrajudicial para que Carla Zambelli tirasse o vídeo do ar. "Eu não posso proibir ninguém de cantar uma música minha. O que o autor tem direito é de impedir de que essa música esteja vinculada com uma forma de divulgação que ele não concorde", disse o compositor em entrevista ao g1. Netinho Ricardo Matsukawa/UOL Além da retirada do vídeo, Manno Góes pediu: R$ 100 mil por danos materiais pelo uso da música, que deveria ter sido licenciado pelo autor previamente. Mais R$ 100 mil de indenização por danos morais por usar a música do compositor "com vinculação forçada à ideologia e figura política da ré (Carla Zambelli) sem que sequer fosse lhe dada a oportunidade de opinar ou negar a utilização de sua composição". O vídeo não foi apagado e, cerca de 10 dias depois, o juiz Érico Rodrigues Vieira, da 3ª Vara Cível de Salvador (BA), deu uma decisão liminar que estabelecia uma multa de R$ 5 mil por dia em que a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) mantivesse o vídeo no ar. A justificativa foi que o autor "não autorizou seu uso, posto divergir dos ideais políticos da usuária ré, sobretudo, da mensagem veiculada que faz uso indevido da canção pertencente àquele". No dia seguinte da decisão judicial, Carla Zambelli apagou o vídeo. Netinho e Manno Góes já haviam brigado em 2021 por causa do uso da música 'Milla' em manifestações bolsonaristas Divulgação Em 2023, os desentendimentos entre o compositor e o cantor ganharam um novo capítulo: Manno Góes xingou Netinho de "criminoso", após ele apoiar os atos de vandalismo que aconteceram em Brasília no dia 8 de janeiro. Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, Netinho usou as redes sociais para pedir que os "patriotas" fossem até o Distrito Federal para participar do ele chamou de "insurreição". "Isso é crime! Netinho passou há muito tempo da fase de infeliz para a de criminoso", escreveu Manno Góes. Manno Góes e Banda Jammil lamentaram a morte de Netinho Redes Sociais Na terça-feira, diversos artistas lamentaram a morte de Netinho pelas redes sociais. O compositor Manno Góes compartilhou uma nota da Banda Jammil lamentando a perda. No posicionamento, o músico e a banda se solidarizam com os fãs e amigos do cantor e destacam o legado dele como algo "inegável na história da música baiana". LEIA TAMBÉM: Faculdade de engenharia civil, vocalista de banda e carreira solo: a trajetória de Netinho até se tornar ícone do axé no Brasil Netinho foi candidato a deputado federal pelo PL, mas não se elegeu: veja a trajetória política Câmara de Salvador aprova mudança de sede para homenagear Flávio Bolsonaro no Farol da Barra Veja mais notícias do estado no g1 Bahia Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Fale Conosco